No Mês do Procurador, estreamos a série Vozes da Nossa História para contar partes importantes da atuação da Associação de Procuradores do Estado de Goiás (APEG) e e da Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) nestas mais de cinco décadas.
Para estrear, vamos conhecer a trajetória de Selene de Fátima Ferreira, que começou na Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) em 1999, quando deixou São Paulo, onde mantinha um escritório de advocacia, para ingressar na carreira pública e fez a diferença por onde passou.
Natural de Sorocaba, no interior paulista, ela buscava estabilidade profissional e inicialmente tinha como objetivo a magistratura. Mas o concurso para procuradora, no entanto, abriu um caminho que marcaria sua vida profissional e pessoal.
A chegada à PGE-GO ocorreu em um período em que a instituição ainda tinha uma estrutura reduzida. A turma de Selene contava com pouco mais de 30 novos integrantes, enquanto o quadro total da Procuradoria tinha menos de 20 procuradores antes daquele ingresso. Ela encontrou naquele final de década profissionais pioneiros na instituição, que contribuíram para a adaptação dos novos integrantes à rotina do Direito Público e deram uma “aula” para ela e os colegas.
“Encontramos os pioneiros, todos eles já aposentados hoje. A Procuradoria era muito diferente, mas éramos muito unidos. Tivemos muito apoio e eu me adaptei rápido”, conta.
Selene chegou a Goiás acompanhada do filho, Adolf, então com nove anos. Inicialmente, os dois ficaram em Goiânia, onde ela começou a construir sua trajetória na instituição. Alguns anos depois, um novo desafio a levaria para o interior do estado.
Cidade de Goiás
Em 2005, Selene foi convidada pelo então procurador-geral do Estado, João Furtado, para estruturar a Regional da PGE-GO na Cidade de Goiás. A unidade seria a última regional a ser aberta e não contava com estrutura física ou equipe de trabalho. “Foi uma luta, bem no sentido da palavra”, resume.
A procuradora começou praticamente sozinha, sem equipe e sem instalações próprias. Com o tempo, conseguiu uma sala na Delegacia de Fiscalização e buscou apoio para incorporar estagiários às atividades. O trabalho exigia não apenas conhecimento jurídico, mas também capacidade de organização e atendimento às demandas da população.
“Eu fui convidada a abrir a Regional da Procuradoria aqui. Só eu de procuradora, sem equipe. Fomos montando, conseguindo estagiários depois de bastante tempo”, lembra.
A experiência também permitiu aproximar a instituição dos cidadãos e ampliar o conhecimento sobre as atribuições da carreira. Para Selene, a população nem sempre compreendia o papel de um procurador do Estado, frequentemente confundido com o de promotor de Justiça.
“Havia bastante atendimento à população, em matéria tributária e orientação. Era uma atuação diferenciada. As pessoas conseguiram entender melhor o que faz um procurador do Estado”, afirma.
A Regional passou por períodos de funcionamento e fechamento, em razão das dificuldades de manter profissionais disponíveis para atuar na cidade após a aposentadoria de Selene, que se aposentou em 2019.
Representatividade
A aposentadoria não significou o encerramento de sua contribuição à vida institucional. Selene foi convidada a integrar a gestão da APEG liderada por Claudiney Rocha, inicialmente como representante dos aposentados e, posteriormente, como segunda vice-presidente e depois como presidente, quando ele deixou seu mandato.
Ela conta que precisou ser convencida a participar, pois não pretendia se envolver novamente com as questões da Procuradoria. A experiência, contudo, mostrou-se transformadora, especialmente pela possibilidade de aproximar os procuradores aposentados da Associação.
“Trouxemos os aposentados para a APEG. Eles se sentiram muito acolhidos neste período!”, destaca.
A convivência com os diferentes grupos da carreira também ampliou sua compreensão sobre as necessidades dos associados. Para Selene, era fundamental ouvir tanto os aposentados quanto os procuradores em atividade e aqueles que estavam ingressando na instituição.
“Aprendi demais com os aposentados e com a forma como a APEG funcionava na época. Era preciso saber verificar a necessidade dos aposentados, dos ativos e de quem estava ingressando na carreira. Acho que nisso conseguimos fazer muito bem”, avalia.
Selene afirma que nunca imaginou assumir a presidência da entidade. A experiência, que veio de maneira inesperada e teve duração mais curta, representou um capítulo importante de sua trajetória associativa. Ao relembrar o período, destaca as conquistas alcançadas e, sobretudo, a aproximação entre os associados.
“Eu nunca imaginei e nunca quis assumir a presidência da APEG. Fui pega de surpresa. Foi uma gestão bem curta, mas muito importante”, relata.
Ela considera que a união construída durante as gestões deixou uma marca que permanece. Mesmo afastada da administração da Associação, mantém contato com procuradores ativos e aposentados e guarda com carinho as relações desenvolvidas ao longo dos anos.
“Tenho saudade das reuniões com o pessoal, dos ativos, dos inativos, das conversas, das brincadeiras, dos assuntos sérios e estratégicos. Sinto falta”, confessa.
Ao recordar o período, Selene reforça o valor do trabalho coletivo e da construção de vínculos entre diferentes gerações da carreira. “Conseguimos muitas coisas. Essa união ficou registrada.”
Novos desafios
Aos 65 anos, Selene continua ativa profissionalmente, agora em áreas bastante diferentes do Direito, mas que mantém as suas características tão conhecidas: a comunicação, a liderança e a capacidade de união. Ela vive na Cidade de Goiás, onde mantém uma pousada, e também atua no ramo da construção civil, com atividades no Brasil e em Portugal.
A mudança de trajetória trouxe novos desafios e outras formas de observar o mundo do trabalho. Se antes sua rotina envolvia a interpretação das leis e a atuação jurídica, hoje ela acompanha projetos, observa construções e analisa processos de trabalho.
“Eu não parei. Se me afastei da vida associativa, foi porque estou envolvida com outras atividades. Não dá para parar, só diminuí o ritmo”, afirma.
O empreendedorismo também mantém uma característica presente em toda a sua trajetória: o contato com pessoas. Apesar da mudança de área, Selene segue aprendendo, viajando e enfrentando novos desafios.
“Continuo gostando de viajar e agora os desafios são diferentes. Não faço interpretação de lei, mas analiso as construções, observo como as pessoas estão trabalhando. São ramos completamente diferentes, mas continuo lidando com pessoas”, explica.
Assessoria de Comunicação da APEG | Ampli Comunicação